sábado, 13 de novembro de 2010

Tangente

Por escrever.

Tangente

Passas-me rente, aqui passas, aqui não és nem sou.
Mulher-a-dias que és e que olhou
As pratas que não tinha limpo na semana passada.
Tange-te a vontade como a preguiça que evitas
Mulher que limpas tanto quanto vomitas
Canções populares numa harmonia desusada.

Crocitas, enquanto limpas, as terríveis coisas
Que tua patroa faz, senhora nossa.
(Que ninguém saiba, nem o menino Alberto,
Que fará mossa maior que o brasão familiar
Marcando o lacre vermelho que fecha os segredos)
Mulher má! A ti te tangem todos os trâmites
Que são o limpar o pó das pratas e o puxar o brilho fundo
Que está lá, mas escondido, imóvel, sitibundo
De atenção e de carinho de tua mão despassarada.

Mulher, as coisas que te não tangem não são nada
Senão as coisas que são, se tu fosses quem querias.
Mas tu não és, vives disto, deste limpar descuidado
Desta vida imunda de mulher-a-dias.
Só porque te não dás, nos dias em que duram os dias,
A ser mulher,
só mulher.
Rafael Cardoso Oliveira

Citação de misérrima importância:

"Navegar é preciso; viver não é preciso."
Pompeu

"Surprise, you fool!"
The Spy

domingo, 25 de julho de 2010

Templário

É tarde. Tenho de acordar cedo. Tinha de escrever. PUM!

Templário

Vejo-te, lá longe, voltando,
A cavalo, voltando, montado.
Vem a tua sela humedecida do teu sangue
E do teu suor e da tua merda,
Dos sopros das almas perdidas.

Vens, como se tivesses partido ontem,
E já te foste há tanto… tanto tempo.

Vens, voltando, como se passassem mil vidas,
E mais, certamente, se passaram, mais vidas levaste.
Levaste no esforço que não era matar essa gente…
Mudaste, cavaleiro, tu mudaste.

Cavaleiro, agora que voltas, p’ra me visitar,
Não te quero. Não sei se te quero ver.
Não quero ver em tua face o rubor
Envergonhado das cabeças que cortaste;
Não quero perceber quantas mulheres cobriste
E de quantos despojos te fizeste rei,
Por quantas (essas tantas) vidas que apagaste.

A cruz vermelha da tua veste enegrecida
A pintaste, mil vezes, com a cor da vida,
Mas com a cor da vida que roubavas,
Com a terra que caindo, santificavas,
Oh templário, eu não te quero ver hoje.
Hoje não sou tua mulher, nem teu filho,
Hoje não sou tua mãe, nem sequer teu deus.
Hoje, cavaleiro, estás sozinho.

Vejo na tua face o grito de crianças
O desespero de mulheres muito velhas
O grito que sufocaste nas suas gargantas
Para que não tivesses de o ouvir em sonhos.
Cavaleiro, nem sequer sou capaz de te desejar a morte,
Agora que chegas, espero que te partas,
Pois tudo o que sei ouvir da tua boca
São os gritos que me sussurras ao ouvido
São as loucuras que tua boca berra
“Faz-se assim a Terra santa
Faz-se assim a Santa guerra!”

Rafael Cardoso Oliveira

Citação de fé:

"Leões de guerra e cordeiros no lar; rudes cavaleiros no campo de batalha, monges piedosos na capela; temidos pelos inimigos de Cristo, a suavidade para com seus amigos."
Jacques de Vitry

"Scotland is not a real country! You're an englishman with a dress!"
The Soldier (dominating a demoman)

sábado, 17 de julho de 2010

Errata

pequeninos leitores,

Hoje nada tenho a declarar.

Errata

O poeta errou.

É algo imensamente visto,

O sei bem, mas ele errou,

E, desta vez, far-se-á confesso,

(Ou farsear-se-á de confesso)

Como é tão impróprio de sua arte,

Falhou.


É algo que o não orgulha,

Que desperta, não nele, mas em quem

Nele mergulha, a estranheza…

A dúvida delicada de se, realmente,

Se mergulhou, ou se se andou,

Por falta de inspiração, ou por vileza,

A nadar em mares de incerteza

Tornada certa pela confiança

De que as palavras, incautas, se vestem.


O poeta hoje errou,

Queria dizer que as rosas te tinham roubado o perfume

E disse que o perfume era teu e era vulgar,

Quis num verso tombar todo o regime sem um gume

De espada para ensanguentar,

E em lugar disso o fortaleceu! Disse que era mau, sim,

Mas, por vulgar, foi preso e dado a alimentar

Às feras que são os leões na arena

Ou as gentes de uma multidão.


Hoje o poeta foi vulgar,

E previu que o homem iria à lua

Mas só nos seus sonhos, na sua loucura…

Disse que havia deus que nos protegia

E morreu com um raio na cabeça enquanto escrevia.

Hoje o poeta disse que tinha morrido para se tornar imortal

Mas se enganou. Morreu e definhou, morreu e enquanto morria

Viu a deus, cheirou teu perfume, depôs um regime,

Ensanguentou um gume, matou um leão,

Fugiu da turba, foi à lua num foguete de prata,

E morreu com um raio na cabeça!


Enquanto escrevia uma errata…

Rafael Cardoso Oliveira


Citação de erro:


"Experience is the name everyone gives to their own mistakes"

Oscar Wilde


"An expert is a person who has made all the mistakes that can be made in a very narrow area"

Niels Bohr


"Dominated, you headshoting Judas!"

The Demoman (dominating a sniper)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Double Dog Dare!

Caríssimos Leitores,

Hoje aqui venho propôr-vos um pequeno desafio. Parecer-vos-á estranhamente similar a um desafio anterior de decrifração de um poema chamado "Chave", se bem se recordam, mas, desta vez, nem eu, o legítimo autor e tirano deste blogue e autor do poema que se segue, sei a resposta que pretendo, por ter várias. Simplesmente, num rasgo de inspiração (expressão do mais "cheesy" que conheço, mas que me apraz usar agora), escrevi este pequeno monstrinho e gostaria de saber a vossa opinião sobre ele, ou sobre o seu significado, melhor dizendo. Como hoje não tenho, uma vez mais, nada de interessante para vos dizer, nem mesmo nada maçador com que vos possa martirizar, a explicação deste pequeno jogo fica por aqui.

I hereby declare this duel open.

Mission Begins in 3 seconds

3

2

1
...

Sermão

Irmão,

Hoje que aqui estás, escuta-me,

Sê capaz hoje de ouvir o que te digo,

Que as palavras que, por mais que amigo,

Te dirijo são todas quantas te vão dirigir.

Poder-te-ão, outros, com palavras, outras,

Iludir… entre as palavras certas, as sãs,

As a que quero que atendas!

Irmão, hoje é dia de sermão,

Hoje, meu irmão, conto-te as lendas.


Irmão,

Hoje que aqui estás, vê-me,

Sê capaz hoje de observar o que te mostro,

Prostrado em vassalagem ao céu, como sabes

Que me prostro, só para que ele não suspeite

Da minha descrença grande e total.

Desavença, minha, que travo, com Ele,

Imortal… entre as estrelas e os mantos de lonjura

Que quero que rasgues, que ofendas!

Irmão, hoje é dia de sermão,

Hoje, meu irmão, mostro-te as lendas.


Irmão,

Hoje que aqui estás, crê-me,

Sê capaz de acreditar no que te explico,

Que na mesma suplica com a qual choro

E te suplico, vem a escuridão que te fará menor.

Ilibação… dos pesos e das amarras dos culpados

Que não quero que julgues nem prendas,

Pois não tens voz,

Irmão, hoje é dia de sermão,

Hoje, meu irmão, não somos lendas.


Junta-te a nós.

Rafael Cardoso Oliveira



Citação de desafio:

"Say 'what' again. Say 'what' again, I dare you, I double dare you motherfucker, say what one more Goddamn time!"
Jules, Pulp Fiction, Tarantino

"And that is a diet I call death"
The Spy

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O dos Mudos

Acordai mortais!

Após mais de 3 meses de ausência, já sentia saudades de vir aqui para poder escrever o mais livremente que me é permitido. Isto claro, dentro dos parâmetros naturais do bom gosto, da educação e do respeito pelo próximo. Mas hoje já é muitíssimo tarde para que a conversa que terei convosco noutros momentos deste blogue se alongue por mais do que algumas linhas. Linhas essas que, por meu talento, nunca dizem absolutamente nada de jeito. É bom saber que mantenho as qualidades do antigamente, quando as coisas ainda custavam escudos, ou quiçá mesmo sal. Aqui vai disto, senhores, stand your ground:

Canção dos Mudos


Disseram-me hoje que te escrevesse uma canção.

E há aqui um problema muito óbvio,

Não da minha intenção ou não de ta escrever,

Mas da maneira como me devo dirigir a ti.

Se fosse algo para ler somente, seria tão mais fácil…

Mas tem de ser algo bom e certo para ouvir também.


Propus-me logo a escrever-te, hoje, uma canção.

E não sei sequer o seu verso inicial:

Se começar com “Meu amor, meu coração”, vexo-me.

Se disser que te odeio, minto, e disso me sinto mal.

Olho a tua foto em busca de que ela me diga

O que eu não consigo dizer-te a ti.

Procuro nela, nem sequer uma canção,

Mas um assobio, um trauteio, uma cantiga,

Ao menos qualquer coisa que, uma vez mais,

Diga! Que fale! Que me inspire um bocadinho…


Que ter de recorrer aos diminutivos já me custa…

(Como me custa a rima pobre feita com jeitinho)

Onde se compra a fórmula de fazer canções?

Digam-me, por favor, por ela darei a paga justa

De admiração e respeito e maioritariamente… admiração.

Vá lá, eu não tenho dinheiro… Pagarei em preces!

Orações à padroeira de Nossa Senhora que o valha!

A uma qualquer, pagarei tudo o que me calha pagar

Até ao mais misérrimo tostão!


Hoje disse que te escreveria uma canção.

E não consigo sequer falar.


“Vem agora, menina, que as palavras

São finalmente caladas e finais.

Vem só agora que troam as guitarras,

Nos acordes da balada em que agarras

Os céus de luar e noite escura.


Vem por agora, menina, com a mais

Bonita rosa nesse teu gesto de frescura,

Diz que as demais palavras que te diga

São a mais, que são só aperto da loucura,

Que me queres sem que te diga nada.


Vem para sempre ficar formosa em formosura

Tal que as ninfas te invejem, minha fada,

Que há canções que te cantem em cada uma

Das setas que dardejem na guerra!

E dos hinos ao vento que troam no fim!

Sê minha, por favor, um só momento,

Meu amor, meu coração, minha terra.

Hoje, que te amo, canta p’ra mim.”

Rafael Cardoso Oliveira

Citação cantada:

"Meu amor,
Parece que agora vou seguir sem ti
Subir e descer,
Correr na lama e voar outra vez...

Sei muito bem onde quero chegar
E sei que não há tempo a perder
Que a tua voz me possa encorajar!

Meu amor,
Agora não fiques para ai a dormir...
Um fato de marinheiro
Não chega para se entender o mar.

Espero que aprendas bem a remar
E espero que a luz do teu farol
Te possa sempre iluminar! "
Jorge Palma


"You cannot burn me! I do NOT have time to combust!"


The Soldier (dominating a pyro)

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Mote

Idólatras,

É com surpresa, repetidas vezes tenho dito isto mas continua a ser verdade, que aqui venho hoje escrever-vos. Não por que mereçais, não por isso, que ninguém merece o castigo de ser vergastado pela minha nigérrima chibata duas vezes num espaço tão curto de um ano tão recém-chegado e muito menos depois de uma laceração e martírio tão longos como foram os do post que precede ao corrente; o anterior, portanto. No entanto, tenho algo novo a mostrar. D'um novo que já é algo velho e muito usado, quase tão bom como dizer que algo numa loja de antiguidades é uma novidade ou que há, por ironia, novidades num museu. Estou abismado como me acometi, por um lado, e permiti, por outro, a fazer este post, sabendo bem do trabalho que o outro deu a escrever. Cairão as Resoluções de Ano Novo em saco roto, ficarão em águas, ironicamente, de bacalhau, até a alturas próximas de um próximo nascimento de cristo, que , segundo consta dos escritos, nunca foi sequer consultado para a aprovação democrática e justa desta coisa do bacalhau ou até mesmo do perú.
Mas esta temática já dista alguns parsecs daquilo que me traz aqui, uma composição poética entre um Camões e um Pessoa, ambos mensageiros da grandeza de um Portugal que, ou se perdeu, ou já perdido andava mas ainda havia esperança. Eu sou um esperançado.


O Mote
Aqui começa onde acabará o novo mundo,
D’areia clara donde se, claro, estende
Imponente e temeroso e sitibundo
O chão salgado para’a gente que o desvende.
E mais escuro não pode ser o negro fundo,
Negrume tal que qualquer mortal se rende,
Mas o não teme quem domá-lo quer,
Que de Portugal nunca’é mortal nem é qualquer!

E quanto o sonho diste é tanto quanto
O luso peito sabe ter de navegar,
Que no mesmo grito abafado e triste pranto
Onde se guerreou até morrer ou sem matar,
Não cabe mísera essa glória, o frio espanto,
Dos que se deixam, vivos-mortos, conquistar.
Não é de Portugal quem se assim rende
E que às memórias de Henriques, tolo, ofende.

E quantos são, de pena em punho, a cantar,
Por trovas várias, chamando a nós os tempos idos
Não careces, ó Portugal, do que falar
Nem de quem cante com voz e punho decididos,
Pudera quem te assombra ter os brilhos e o brilhar
Das esferas que te não deram os deuses, recolhidos.
Que se não abriu o mar em caminhos sem sofrer
Aos escolhidos que se fizeram escolher!

Rafael Cardoso Oliveira

Citações exortativas:

"’Sperai. Cai no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura
É Esse que regressarei.”
Fernando Pessoa, Mensagem

"Xerxes: There will be no glory in your sacrifice. I will erase even the memory of Sparta from the histories! Every piece of Greek parchment shall be burned. Every Greek historian, and every scribe shall have their eyes pulled out, and their tongues cut from their mouths. Why, uttering the very name of Sparta, or Leonidas, will be punishable by death! The world will never know you existed at all!

King Leonidas: The world will know that free men stood against a tyrant, that few stood against many, and before this battle was over, that even a god-king can bleed. "
300, Zack Snyder

Mr. Creedy(while shooting at V): DIE! DIE! WHY WON’T YOU DIE?!... Why won't you die?...”
V: Beneath this mask there is more than flesh… There is an idea, Mr.Creedy. And ideas are bulletproof.”
V for Vendetta, Waschowski Brothers

"Maximus: [removes helmet and turns around to face Commodus] My name is Maximus Decimus Meridius, commander of the Armies of the North, General of the Felix Legions, loyal servant to the true emperor, Marcus Aurelius. Father to a murdered son, husband to a murdered wife. And I will have my vengeance, in this life or the next."
Gladiador, Ridley Scott

"I'm not done yet, mate; not by a long shot."
The Sniper

sábado, 2 de janeiro de 2010

As Rev(/s)oluções de Ano Novo

Mortais,

É sobejamente engraçado estar aqui, no dia já 3 de Janeiro de 2010 a escrever o que vou escrever. Todos, por certo, estão recordados desses tempos há muito idos em que o inglês nos era ensinado no ensino público (ou privado) como forma de nossa tão vasta instrução e em que nos era pedido, por alturas do ano novo, que escrevêssemos aquilo que seriam as New Year Resolutions. Geralmente 10, não mais do que isso, eram simples frases que discorriam sobre o que queríamos mudar no mundo ou no nosso mundo no ano que se avizinhava; nada de complicado, nada de mais bonito, nada de tão Miss America. Para salvação dos males e expiação de todos os pecados, as pessoas tendiam, e ainda bem, a focar-se no que queriam para os seus pequenos mundos e abstinham-se do discurso enfadonho e gasto da paz no mundo e do acabar com a guerra e com a fome, por não estar ao nosso/seu alcance executá-lo ali, por ser hipocrisia pura e dura e porque, em boa verdade, a mudança tem de começar em nós e, no nosso egoísmo de desejarmos tudo para nós, há que desejar que também mudemos. Ámen.
Mas não é de moral ou ética que venho falar, que isso é também aborrecido por estas horas e achei por bem, hoje, nestes primórdios de um tão novo ano que se nos apresenta, brindar-vos com algumas Revoluções ou Resoluções de Ano Novo. "Isto porquê?", perguntam vocês com a liberdade que aqui não vos assiste mas que eu perdoo, ao que eu respondo porque defini o objectivo sincero de fazer o maior post de sempre, mas dividido em fragmentos. 10 para ser exacto. 10 porções de morte em pó a que basta juntar água, naturalmente, para ingerir sob a forma de uma potente solução aquosa. São 10 temas que não têm grande relação entre si, ou mesmo nenhuma, 10 coisas de que me lembrei de falar. Isto deverá bastar como explicação inicial. Apertem os cintos e agora com a voz do homem dos carrinhos de choque do tão afamado Senhor de Matosinhos: "Mais uma viagem, mais uma aventura. Insira a fichinha na ranhura e não saia enquanto os carrinhos se encontrarem em movimento."

10. A Resolução "Musical": Il Divo e Apolo

Isto é rigorosamente verdade. Existe, senhoras e senhores, um grupo musical que se denomina Apolo e que é aquilo a que se tem chamado de "Os Il Divo portugueses". Alegria. Satisfação. Felicidade. E acima de tudo ironia, é tudo quanto vos tenho a dizer. Meus caros, os Il Divo não são uma boa ideia; e uma adaptação de algo que não é bom, não poderá, probabilisticamente falando, ser melhor. E isto assusta-me.


Eu sei que há uns quantos de vós que estão tão temerosos quanto eu, isto é efectivamente muito mau. E o pior é reparar nas similitudes entre os dois grupos. Se repararem bem, o individuo mais à direita na foto dos Il Divo, que sorri e que doravante designaremos por Ramon pela sua nacionalidade espanhola, tem uma cara de matador inigualável por qualquer ser que já tenha, que esteja ou que venha a pisar esta terra. É um sacador natural e a sua sensualidade não conhece o limite do aceitável. Podem procurar no google quantas fotos vos aprouver que em todas elas o seu charme latino está presente. Note-se também as suas sobrancelhas, que compõe sempre, pelas posições estranhas que adoptam o seu quadro de 'El Matador'. Poderia agora discorrer igualmente sobre o equivalente português, senhor mais à direita na foto dos Apolo, mas não me atrevo aquela expressão de saque está quase a funcionar em mim. Nunca se equipara à de Ramon, porque é impossível, mas é de uma qualidade soberba. Gostaria ainda de ressalvar a riqueza expressiva e emotiva do indivíduo mais à esquerda na foto dos Apolo, é simplesmente extra ordinário; penso, sempre que contemplo, em choque e admiração, esta foto, que quem um dia disse que uma imagem vale mais que mil palavras, certamente viu um ancestral deste senhor, por tão rica linguagem não falada que sai de cada poro da criatura. Lamento, meus caros, eu não consigo suportar estas adaptações de músicas com o pretexto de tornar a música "clássica e erudita" mais próxima das pessoas menos instruídas. Isto não é música clássica, simplesmente por não o ser. Respeito quem nutre algum gosto por ouvir isto, mas só não arranjem desculpas destas. É ridículo. E até o Ramon o sabe.

9. A Resolução do Comodismo: O Estado Laico

Será esta uma resolução curta, que deverá atingir como um dardo envenenado os corações dos ateus e dos agnósticos, dos não crentes, dos crentes não praticantes, dos crentes que achavam que criam mas afinal não criam assim tanto, enfim, todos os que crêem em algo diferente daquilo em que o que o nosso Estado dito laico, por definição, acaba por crer. Vivemos num país maioritariamente mais que cristão, católico e temos, com isso, todas as consequências inalienáveis que isso nos traz. Temos um catolicismo a que nos acomodamos tanto que festejamos todos o Natal (e não me venham dizer que não festejam o Natal, mas sim aquela festa pagã a um qualquer deus) por ser moda, por ser natural que assim o façamos, por não ser ideologicamente execrável fazê-lo e porque é bom receber presentes. Os feriados religiosos são ridículos num Estado dito leigo, não fazem sentido, mas fazem jeito e fazem pontes também. É mais uma daquelas revoluções de ano novo que nunca acontecerá, tal como quando a maior parte dos fumadores promete que vai deixar o seu vício, ou a maior parte das pessoas com óculos diz que vai tentar usar lentes de contacto, ou a maior parte das pessoas obesas que vai começar a fazer dieta. Marca-se a hora do inicio do ano para tudo, mas escrevendo a lápis numa agenda que se vai deitar fora ainda a semana não terá conhecido o seu fim. Temos os feriados porque é bom tê-los, não porque sabemos o que eles são, muitas das vezes, não fazemos nada porque é moralmente inaceitável lutar contra o nosso direito major de não fazer nada, enquanto cidadãos deste Portugal tão de nada feito e tão em nada assente com as suas "nalgas" gordas, suadas e peludas.

8. A Resolução da Inutilidade: Os twitter's, hi5's, facebook's e afins

Eu, sobre esta matéria, já me pronunciei longamente. Tudo o que disse em relação ao hi5 estende-se quase excelentemente ao facebook. Mas o twitter, quando soube que, basicamente, é um local onde escreves textos de um máximo de 140 caracteres a que tão patetica e parvamente se chamam "tweets" a dizer coisas como, ou reportando sobre, o estado do tempo nas Cataratas do Niagara ou no pico mais agreste dos Himalaias, fiquei em choque. São SMS's por computador, na internet, e pior que serem é o orgulho com que admitem sê-lo. "Sim! Realmente nós somos uns gajos que tivemos esta ideia brilhante de fazer crer 10 milhões de pessoas que escrever uma SMS e enviá-la por telemóvel para 140 pessoas é parvo, mas se o fizeres na internet, é um tweet!" Duas palavras: Ri-dículo.

7. A Resolução da Insuficiência: O ter de escrever sobre 10 temas

Sou um insuficiente, mas este foi um dos melhores temas que aqui surgiu, eu bem poderia dissertar sobre coisas interessantes ou mesmo giras, mas não; estou a falar dos Il Divo, dos Apolo, do twitter, do hi5 e de uma série de coisas que me fazem muita comichão. A melhor parte é que nem sequer sei bem o que dizer quanto a este número 7, que aqui se encontra apenas como bote salva-vidas e como mais umas quantas linhas de tédio de morte para o leitor mais voraz, mais audaz, ou então mais idiota.
É melhor seguir em frente, porque a temática já vai longa para algo que não diz nada de nada.

6. A Resolução da Pena: Os programas de televisão do Fim de Ano

Pena, meus caros, pena, muita pena e muita vergonha alheia. Não admira que os Maias (não os do Eça, os gajos da América do Sul) tenham previsto o fim do mundo lá para 2012; já sabiam eles, e aposto que o têm gravado em algum dos seus edifícios em jeito de hieróglifo uma mulher berrando muito alto enquanto algo que primeiro se pensou ser uma mulher junto dela se pavoneia; digo pensou-se porque depois se decifrou que seria Manuel Luís, o Goucha, que se assumiu como homossexual há pouco tempo. Quanto a isto nada contra, assim já andamos prevenidos porque ele até era daqueles que nunca levantou qualquer tipo de suspeita, no tempo do bigode, claro está. Mas, por favor, por piedade, este tipo de programas de música e galas no final do ano tem de acabar. É simplesmente demasiado doloroso. Especialmente com a tia Júlia, mulher que admiro pelo seu sadismo, pela sua voz de rouxinol e pela sua fermosura. Falo do sadismo dela simplesmente porque é admirável como a Tia Arlinda, mulher que foi muito dada enquanto jovem e que muito sofreu com a morte dos seus 7 maridos todos por causas naturais e do seu gato Jeremias Alfredo, na semana passada, e que está agora com uma "trembose" e que sofre "hiptensom" e a nossa querida Júlia é capaz de ouvi-la até lhe dar na gana e ter de pedir à senhora, que está ali a pôr a nu a sua alma virginal uns minutos, que interrompa o temporal de desgraças para ela ir dar dinheiro no "Cara ou Coroa". Quando volta, já lá não está a tia Arlinda, para alegria da tia Júlia, a nossa Oprah.

5. A Resolução da Música: Tuba Mirum Spargens Sonum!

Tinha de andar com este requiem, esta música de morte, para os mortos e muito mais para os vivos. Não tenho muito a dizer quanto a isto, esta música seduz-me mesmo. Mata-me. E faz-me pensar sempre, inevitavelmente, na coisa mais bonita da linguagem. O som. Como seria o português se só o ouvíssemos soar, sem o perceber? Eis algo que nunca saberemos se estamos a ler (ou a escrever) este texto. Por isso é que o latim me dá cenas. Porque é, talvez, o mais próximo que consigo chegar da total incompreensão, e do som bonito das palavras, só por o terem. O som.

Não sou capaz de deixar este 5 sem mais uma parte desta missa: Rex Tremendae!

As traduções acompanham a letra em latim nos vídeos, nada mais há a declarar aqui.

4. A Resolução do Boneco Animado: O Team Fortress 2

Isto é realmente o culminar do pensamento, justo e certo, de que realmente este post é longo e maioritariamente desinteressante. Quanto ao Team Fortress 2 não consigo falar muito, é um jogo emocionante para quem o não conhece, e mesmo para quem o conhece. Deixo-vos apenas o link para o blog TF2 para a parte dos videos, que é a melhor. E já agora, uma fala de cada personagem:

"Looks like they'll have to glue you back together...IN HELL!"
The Demoman

"Hmmph mmhp mmmph!"
The Pyro

"I am ze ubermensh!"
The Medic (médicos nazis é que é!)

"If you order now I'll give you a second beating absolutely free."
The Scout

"LEETTLE MAN STEAL OUR CART!"
The Heavy

"You know what you and Jane Austen have in common? You're both dead women."
The Sniper

"If you managed to kill them I asure you they were not like me..."
The Spy

"You are a spineless worm! You are a mistake of nature! You are walking vomit!"
The Soldier

3. A Resolução da Comida: O New York Crispy

Porque eu queria comer... e comi. Não é grande coisa ou então, na expressão popular que passei a adorar, "Não é lá grande pistola."

2. A Resolução Improvável: Um espetáculo provavelmente bom.

Ora aí está uma das poucas resoluções que proponho que vale a pena realmente; é incrível. Teatro de improvíso no Brasil. Genial é o mínimo que se pode dizer, uma vez mais funcionam os videos no final desta página que vos ajudarão a encontrar esse grande espaço humorístico que é o Improvável. Não tenho muito a dizer porque já estou cansado, muito cansado mesmo, e não sei mais o que escrever.

1. A Resolução das Resoluções: O Ano Novo

Aqui chegamos ao cerne da questão.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
E...
Na verdade, meus caros, não acontece nada. Não se lança um foguetão, não implode um prédio, não se ganha a final de uma competição aguerrida. Nada. Chega o zero e nada. E as pessoas festejam loucamente! Mas festejam o facto de os outros estarem a festejar, isto é pura pressão do grupo, é a pressão dos foguetes e do álcool a dizer para festejarem. Os islâmicos estão em 1390, o ano novo é daqui a dois meses e nestas contagens decrescentes não lhes sucede nada; e não, não é por não poderem consumir álcool. Na realidade esta contagem ainda se torna pior com a Júlia Pinheiro a contar, porque aí uma pessoa conta que aconteça MESMO alguma coisa. Como um piano a cair na cabeça dela, eu sei lá. Não é que eu deseje nada de especialmente nefasto à senhora, nada disso. Apenas gostava que no ano novo, na passagem de ano acontecesse realmente algo que dissesse que há algo diferente. Até lá, a passagem de ano é um mito, e o pessoal islâmico é mais inteligente que nós, que não cai nesta esparrela comercial. E o melhor é saber que há os acreditados nas teorias da conspiração e os desacreditados no aquecimento global que acreditam que a passagem de ano é algo, uns com fé demais outros com fé "de menos".

0. Resolução do Fim: Uma resolução para libertar

Um poema. Porque 10 é par e as coisas giras são ímpares. E só aqui acontece algo no zero...

Sê completamente livre

Está liberto, sê liberto, vive de liberdade.

Bebe tudo quanto possas e esquece o que tiveres,

Muda, mata, mutila, move, morre, morde, marca,

Que tu és tudo, a vida é tudo e além desta comarca

É só verdade o tudo e nada que quiseres.


Sê um homem ou mulher de mil mulheres,

De mil homens, de mil sonhos, de mil lideranças;

Sê o terror austero que fulmina, cruel, as esperanças

E a sombra quente que afaga os refugiados.

Sê o mar que afoga os inocentes e que faz naufragar

Os condenados e os mortos nas mesmas areias

Indecentes, ardentes, de pedra escura.


Sê a tua igreja de pedra e pensamento, batina e estrutura,

Sê o hábito e a morte que ele(a) leva dentro, a devoção,

A piedade e a quietude e a chacina e o memento

De alta e santíssima e devassa escuridão.


Sê tudo e de tudo nesta libérrima prisão

De não ter rédeas nem escolha fácil, antes total

Escolha irracional impulsiva e de coração

Que desmerece por ser humana e tão fatal.


Mas não importa, não penses, não reflictas

Um segundo: podes deitar tudo a perder.

Que a liberdade não está em ser nem parecer,

Querer ou não querer, matar ou não morrer.

Diz ao mundo que te quer morto que (não) tens vontade!

Mata-te, arrisca-te, come-te, priva-te, goza-te, desperta-te

E vive de liberdade!

…liberta-te…

Rafael Cardoso Oliveira


Citação Resoluta:

"Breathe the free air again, my friend.[...] Too long you have sat back in the shadows..."
Gandalf, O Senhor dos Aneis, J.R.R.Tolkien

"So listen up boy, or pornography starring your mother will be the second worst thing that happens to you today."
The Spy