Há dedicatórias a ser feitas, senhoras e senhores, há motivos para o canto,
Há morte em tudo, há em tudo este choro desfeito e cheiro a podridão,
E por isso se devem dobrar os versos na força, na inteligência, na agressão,
Por que não se note neles a pena, o vómito das futilidades, o desencanto…
Há que, nesta simplicidade avorrecida, centenária e esbatida que alevanto,
Fazer soar o som da guerra e o som que arrepie as almas e as faça tremer,
Vejo tudo envolto em aparências, sem integridade, em mentiras p’ra parecer
Bem, por ser mais forte no seu fumo, ser mais que o NADA QUE se É sob esse manto!
Eu já não posso, é isto que me mata no mundo, a beleza das palavras que todos invocam
Mas que quase ninguém vive, ninguém aplica, que todos esquecem ou deixam passar,
A esses, presos nas formas, presos ao que não são mas lhes foi dado, nunca os deuses [tocam.
Não seria tudo mais certo se assumissem o seu eu como o que querem, tanto, aparentar?
Não se aguenta o fedor dessa gente, as suas existências linearmente podres que provocam
O meu nojo! É este mundo, que vejo adorado e adulado, que me faz, mais que tudo, [vomitar!
Regurgitar as vísceras de mim! Eu QUERO que a complexidade se note, que este [extravasar
Abafe o canto das sereias tão mais belo e tão mais perdido e sitibundo, sequioso desse ar
De aparências que (se) consomem, pelo parecer volúvel de metade de meio Homem.
Só quero, senhoras e senhores, negar….e negar-me ao pão de fome que estes comem!
Rafael Cardoso Oliveira
Citação crítica:
"No mais, Musa, no mais que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza."
"Os Lusíadas" Canto X, Luis de Camões
Há quem mereça...
Frihet
quarta-feira, 12 de março de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sufrágio
Caríssimos,
Vou, em seguida apresentar-vos um poema e fazer uma sondagem em relação a ele, passo a explicar:
Vou, em seguida apresentar-vos um poema e fazer uma sondagem em relação a ele, passo a explicar:
Gostaria de saber se realmente a maioria das pessoas que lê que escrevo o entende minimamente, pois que não tenho muito feedback de comentários (por mais ou menos que sejam as pessoas que, por acaso ou infelicidade, vêm aqui parar). Eu percebo, é tremendamente enfadonho estar a explicar-vos isto e eu, para todos os efeitos, sou o dono deste blogue, imagino portanto o suplício que será escrever comentários sobre, e ainda p'ra mais, poemas sobre os quais não deve haver muito que se lhe diga mais do que "Gostei" "Não gostei.". Há também, caríssimos, que ressalvar os que me dizem directamente o que pensam dos poemas, vale mais que qualquer comentário aqui (não querendo com isso denegrir quem comenta ou faz tenção disso). Sem mais delongas vou escrever aqui o poema e submetê-lo e submeter-vos a dois sufrágios. Não vou dizer para não se sentirem pressionados pois não primo pela hipocrisia, além disso é mesmo essa a ideia. 3 Clicks, não peço mais, votam num, votam no outro e vão à vossa vida.
Em alto posto fita a noite negra com olho prateado,
Vê nela a prisão e a presa, a precisão e a perfeição,
O sangue dardeja nas veias, o coração é assombrado
Pelo assombro vário do defeito, do som, da detecção.
O vento ruge-lhe nos ouvidos, o mar estruge na lonjura,
Urge o tempo, surge-lhe a visão, a mão negra e dura
Cerra-se por sobre a ferramenta do ofício, só, só e seu,
Sua a face, mas não teme, tudo é simples, mestria pura.
Move-se a planura gramínea mais sonora que o ateu
Passo do enteu enviado p’la grandíloqua loucura,
Loucura d’outrem, ele apenas, qual fero Anteu
Preso às garras da mãe, exibe-se ao dano e desventura
Por conta dess’outra conta. Só consigo…são e sandeu.
Não há sombra’scura que o escude, morte que o agasalhe,
Ele é a sombra, ele é o detalhe em que a morte tem gosto,
Em áureo passo lesto, mais que humano em tudo o resto,
A sombra o revela, por sua escolha, reluz-lhe o rosto…
Felino instinto lhe move a musculatura contra a escabrosa
Muralha que não lhe é mais que chão, e a mui venenosa
Armadilha que matou tantos outros, é meio vão
Pela perícia ancestral e sábia mão
Que lhe guia o mover divinal
Da perfeição…
(Vê trifauce cão a Parca afiar a lâmina cortante,
Por que seja cortado o fio fiado até ao dia derradeiro,
E se lhe não chegou, à Parca, o respirar distante
Último de quem já à morte sente o cheiro,
È não por falta do que à negra morte traz diante
Os pagos por não verem o raiar primeiro
Do astro que tem no céu reino d’alvor,
Que cair fez uns e outros por seu rubor.)
[(]Cai a mão e o fio desliza, cortando ambos no mesmo instante,
Com perícia, um por condição outro por precisão acutilante,
A vida que tomada é, com prazer grande pera o mundo
Que se rege por outro brilho, menos brilhante, mais profundo.[)]
Aquece agora a sombra o filho que’à Terra garantiu,
Sumindo-o ainda mais rápido que o fez aparecer,
‘Sfumando-o com o mesmo fogo frio com que ungiu
As mãos cruéis que ao mundo tiram por receber…
Sem receio, pois o temido ele aqui comanda,
‘Scondido pelo ódio que lhe dá sempre de comer…
Inflamado pelas chamas negras qu’incita e abranda
Nosferatu letal, que (se) oblitera, flor-de-lis fatal,
Oculto nessa demanda, ó sombra, quem é hoje à espera?
Vê nela a prisão e a presa, a precisão e a perfeição,
O sangue dardeja nas veias, o coração é assombrado
Pelo assombro vário do defeito, do som, da detecção.
O vento ruge-lhe nos ouvidos, o mar estruge na lonjura,
Urge o tempo, surge-lhe a visão, a mão negra e dura
Cerra-se por sobre a ferramenta do ofício, só, só e seu,
Sua a face, mas não teme, tudo é simples, mestria pura.
Move-se a planura gramínea mais sonora que o ateu
Passo do enteu enviado p’la grandíloqua loucura,
Loucura d’outrem, ele apenas, qual fero Anteu
Preso às garras da mãe, exibe-se ao dano e desventura
Por conta dess’outra conta. Só consigo…são e sandeu.
Não há sombra’scura que o escude, morte que o agasalhe,
Ele é a sombra, ele é o detalhe em que a morte tem gosto,
Em áureo passo lesto, mais que humano em tudo o resto,
A sombra o revela, por sua escolha, reluz-lhe o rosto…
Felino instinto lhe move a musculatura contra a escabrosa
Muralha que não lhe é mais que chão, e a mui venenosa
Armadilha que matou tantos outros, é meio vão
Pela perícia ancestral e sábia mão
Que lhe guia o mover divinal
Da perfeição…
(Vê trifauce cão a Parca afiar a lâmina cortante,
Por que seja cortado o fio fiado até ao dia derradeiro,
E se lhe não chegou, à Parca, o respirar distante
Último de quem já à morte sente o cheiro,
È não por falta do que à negra morte traz diante
Os pagos por não verem o raiar primeiro
Do astro que tem no céu reino d’alvor,
Que cair fez uns e outros por seu rubor.)
[(]Cai a mão e o fio desliza, cortando ambos no mesmo instante,
Com perícia, um por condição outro por precisão acutilante,
A vida que tomada é, com prazer grande pera o mundo
Que se rege por outro brilho, menos brilhante, mais profundo.[)]
Aquece agora a sombra o filho que’à Terra garantiu,
Sumindo-o ainda mais rápido que o fez aparecer,
‘Sfumando-o com o mesmo fogo frio com que ungiu
As mãos cruéis que ao mundo tiram por receber…
Sem receio, pois o temido ele aqui comanda,
‘Scondido pelo ódio que lhe dá sempre de comer…
Inflamado pelas chamas negras qu’incita e abranda
Nosferatu letal, que (se) oblitera, flor-de-lis fatal,
Oculto nessa demanda, ó sombra, quem é hoje à espera?
Rafael Cardoso Oliveira
Citação do dia:
"The skill of writing is to create a context in which other people can think"
Edwin Schlossberg
Ao sufrágio, senhoras e senhores, vamos a votos!
Opressão..
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Divinização (a minha face mais plagiadora)
Bem, não há muito a dizer quanto a isto, e, nem que houvesse, digo, sem certeza, que não explicaria mais do que aqui vou revelar, até porque acusar-me a mim mesmo de plágio não acontece todos os dias. Não será bem plágio mas sim profundíssima inspiração, a havê-la, nas obras com que tenho tido contacto ultimamente: Lúsiadas e Mensagem. Por isso não admito que qualquer semelhança seja, por vós, carríssimos, tida como coincidência; o plágio dá-me honras, a sorte não (denote-se a levíssima cópia aqui também: "Louco, sim, louco, porque quis grandeza / Qual a sorte não dá", se não tivesse falado ninguém o notaria mas, em tempo de confissão, que se expurgue a alma de todos os pecados e não somente de alguns). Então aqui vos deixo, sem mais delongas, o meu húmilimo texto sobre a Divinização d'um povo que é o nosso e que em nada se compara, por um lado, aos dos meus antecessores e, por outro, ao mesmo povo.
Divinização
Senhor, onde está? Senhor, onde é? Senhor, donde vem?
Essa treva de Thanatos tão mimosa e tão segura,
Senhor que é dela? Que mesmo tudo morrendo,
A que a tudo dá o sopro horrendo assi perdura?
Manda ela mais que tu, ó nobre deus, nobre rei,
O que tudo comanda menos a morte que sonhei?
Tendes vós, senhor dos céus, a força certa e contada?
É deveras vossa a face que agora é rubra e irada?
Abri pois, vós, do firmamento a larga porta por que passe
Brilhando a gente cuja memória ainda troa,
Ruborizando dos brancos céus a ebúrnea face
E ofuscando tua divina e grã pessoa…
Tremei Senhor, mas da emoção que o marfim permite
E que a um deus tão grande como vós se bom admite!
Senhor, aqui está! Senhor, aqui é! Senhor, daqui veio!
Essa gente cuja força o mar temeu e que’o céu vergou!
Sem que à morte nem um dia O Portugal tivesse receio,
A matá-lo veio a treva que só assombra quem dobrou
Maiores sombras que as que’o mundo inteiro receou!
O povo que, pouco e pequeno, a etérea altura, grande, pisou!
Concedei-nos, ó das lonjuras mesmas em que caminhámos,
A majestade que um dia nos roubada foi, e é connosco!
Encobre os mares dessa névoa, bruma de que alimentámos
Lutas titânicas contra do grão mar o inverso oposto!
Um dia virás, ó da bruma, pelo império que aguardámos…
Mostra-te! Por quem és, grão Encoberto, Portugal sem rosto…
Rafael Cardoso Oliveira
Senhor, onde está? Senhor, onde é? Senhor, donde vem?
Essa treva de Thanatos tão mimosa e tão segura,
Senhor que é dela? Que mesmo tudo morrendo,
A que a tudo dá o sopro horrendo assi perdura?
Manda ela mais que tu, ó nobre deus, nobre rei,
O que tudo comanda menos a morte que sonhei?
Tendes vós, senhor dos céus, a força certa e contada?
É deveras vossa a face que agora é rubra e irada?
Abri pois, vós, do firmamento a larga porta por que passe
Brilhando a gente cuja memória ainda troa,
Ruborizando dos brancos céus a ebúrnea face
E ofuscando tua divina e grã pessoa…
Tremei Senhor, mas da emoção que o marfim permite
E que a um deus tão grande como vós se bom admite!
Senhor, aqui está! Senhor, aqui é! Senhor, daqui veio!
Essa gente cuja força o mar temeu e que’o céu vergou!
Sem que à morte nem um dia O Portugal tivesse receio,
A matá-lo veio a treva que só assombra quem dobrou
Maiores sombras que as que’o mundo inteiro receou!
O povo que, pouco e pequeno, a etérea altura, grande, pisou!
Concedei-nos, ó das lonjuras mesmas em que caminhámos,
A majestade que um dia nos roubada foi, e é connosco!
Encobre os mares dessa névoa, bruma de que alimentámos
Lutas titânicas contra do grão mar o inverso oposto!
Um dia virás, ó da bruma, pelo império que aguardámos…
Mostra-te! Por quem és, grão Encoberto, Portugal sem rosto…
Rafael Cardoso Oliveira
Citações d'outros louvores:
"Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada."
"Os Colombos" Mensagem, Fernando Pessoa
"Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre lusitano ,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta."
Proposição Os Lusíadas, Luís de Camões
Por que se rasgue o véu,
Canto superior direito...
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada."
"Os Colombos" Mensagem, Fernando Pessoa
"Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre lusitano ,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta."
Proposição Os Lusíadas, Luís de Camões
Por que se rasgue o véu,
Canto superior direito...
domingo, 3 de fevereiro de 2008
O Poema para não ser lido & Zigesag
Se está alguém desse lado, a ler antentamente o que venho dizendo ou então simplesmente a ler na diagonal, certamente terá sentido esta dura e longa ausência de vida neste blogue. Mas, como o prometido é devido, e já que prometi que só falaria de coisas que realmente fossem de interesse (p'ra mim, claro está), é razoável assumir que nada de interessante se passou nestes últimos dias de Janeiro, o que alías é perfeitamente verdade. Contudo, há algo a que gostaria de fazer referência: para todos quantos me lêem e lêem também o jornal da ESAG (Zigesag) certamente é notório que uma única publicação do jornal comporta mais textos meus do que este blogue até este dia. É um prestígio que não mereço de todo. Foram publicados quatro poemas meus no jornal (publicados unicamente na Internet) e um texto de carácter mais cientifico, não o sendo integralmente. Quero só deixar bem marcada aqui a ideia de que é uma honra que não mereço, um destaque que está para além do que esperaria um jovem autor como eu, mas, por outro lado, um inexplicável contentamento de que realmente não estava à espera.
Bem, senhoras e senhores, leitores em geral deixo-vos com um poema dos que nesse jornal estão publicados, esperando que gostem e, se vos aprouver, me digam algo.
P.S: Aprouver significa, popularmente falando, apetecer.
O Poema para não ser lido
Não me leia,
Que tem você a ganhar com versos ocos?
Patéticos, pútridos, parcos, poucos,
Dados a esta desistência de não terem desistido…
Pela sua herege, hegemónica e heterogénea existência
Num poema para não ser lido.
Acredite-me, perde tempo a ler isto…
Crê-me capaz de congeminar aqui uma charada
Em versos duma pobreza subliminar e desusada
Nus, nefastos, nauseantes como nunca se tem visto?
Seria sublime, não? Seria, se houvesse algo que se lesse,
Usaria, então, de toda a arte que potencialmente possuo,
Recuaria e recriaria, como recrio e recuo,
Adulterando tudo aquilo que disse…se isto se desse.
Infelizmente, pode ser que tudo isto, ainda assim, se dê,
Maldito seja eu por esta vil e infame complicação,
Poder-me-iam arder as entranhas, se assim tivesse sido…
E queimar a ideia a carne, como me queima o coração!
Rejeita o que disse? Ora, não me desdigo! Não.
Ainda por cima num poema para não ser lido!
Que tem você a ganhar com versos ocos?
Patéticos, pútridos, parcos, poucos,
Dados a esta desistência de não terem desistido…
Pela sua herege, hegemónica e heterogénea existência
Num poema para não ser lido.
Acredite-me, perde tempo a ler isto…
Crê-me capaz de congeminar aqui uma charada
Em versos duma pobreza subliminar e desusada
Nus, nefastos, nauseantes como nunca se tem visto?
Seria sublime, não? Seria, se houvesse algo que se lesse,
Usaria, então, de toda a arte que potencialmente possuo,
Recuaria e recriaria, como recrio e recuo,
Adulterando tudo aquilo que disse…se isto se desse.
Infelizmente, pode ser que tudo isto, ainda assim, se dê,
Maldito seja eu por esta vil e infame complicação,
Poder-me-iam arder as entranhas, se assim tivesse sido…
E queimar a ideia a carne, como me queima o coração!
Rejeita o que disse? Ora, não me desdigo! Não.
Ainda por cima num poema para não ser lido!
Rafael Cardoso Oliveira
Podem encontrar os outros três poemas e o texto de que falo na página:
Os poemas dão pelo nome de: "O Poema patético"; "À morte"; "A Bicicleta";
O outro texto: "Alunos de Biologia da ESAG visitam novo espaço de Ciência"
Citações escritas:
I was working on the proof of one of my poems all the morning, and took out a comma. In the afternoon I put it back again.
Oscar Wilde
Better to write for yourself and have no public, than to write for the public and have no self.
Cyril Connolly
"As Portas que Abril Abriu... "Ary dos Santos
Libertação
Etiquetas:
ESAG Zigesag Poema para não ser lido
sábado, 19 de janeiro de 2008
Darkwing Duck (entre outros)
Desentorpeçam, todos vós que devotam alguns minutos da vossa preciosa existência a estas leituras, as vossas mentes e recordem aquilo que poderia ser, mas, por bom, não foi, esquecido. Quem não se lembra de desenhos animados de tal maneira míticos que marcaram a sua vida para sempre? Ou então séries, se não quer, caro leitor, admitir que teve algum desenho animado que o fez ir buscar as bolachas à cozinha e esperar meia hora até que passassem os Teletubies para o ver. Quem o não fez? Bem, ainda que a pergunta, que supus retórica (e quis que assim fosse), possa ter resposta negativa, vou falar somente, em caso disso, para todos os cujos olhos brilham neste momento e já com princípios de solução aquosa de cloreto de sódio no canto do olho. Para esses, fica aqui um video, como homenagem a essas lendas que são os desenhos animados dos anos 90 (inicialmente estavam previstos dois videos, mas um constava de 30 minutos de introduções de animações da época, de maneira que pensei: "Está no youtube"). Trata-se da introdução impressionante de um dos maiores e melhores desenhos animados da altura em questão (rufo de tambores; voz de apresentador Circo Vitor Hugo Cardinali): Darkwing Duck, ou em bom português, O Pato da Capa Preta. Isto sim, eram grandes desenhos animados! Pode mesmo falar-se da era do mundo animado antes e após Teletubies, sim, esses destruidores de lares, que habitam num mundo hobbitiano onde só se comem torradas, onde o sol é um bebé e onde o macho alfa (Tinky-winky) anda de avental enquanto que Laa-laa e Dipsy (sendo que a/o segundo(a) quer dizer "pénis" por falar nisso, pelo que suponho que Laa-laa deve ser a fêmea, não me perguntem porquê) não fazem nada, principalmente sendo uma destas "coisas" de sexo feminino (coisas foi o termo mais simpático que me ocorreu e demorou 2 minutos até se tornar simpático). Acredito que na série, também ela literalmente animada, American Dad, ele (Stan Smith) sabia que quando se diz "Love me, I am the Alpha Male!" pode assumir-se que Tinky-Winky está, com naturalidade, excluído por falhar num dos parâmetros. Depois dessas vis criaturas invadirem o meu espaço televisivo vi que Satanás não estava quieto e que a ruindade corria solta no mundo. Agora que até os D'ZRT vão acabar, é tempo de marcar uma cremação destes monstros (não se revoltem, os D'ZRT também hão-de ter a sua), que nem a larva mais esfomeada se atreve a devorar (mais uma vez não perguntem porquê).
Mas voltando a Darkwing Duck, e já em jeito de conclusão, recordem todos as magnificas falas do próprio Darkwing:
Darkwing Duck:"Let's get dangerous..."
Darkwing Duck: [stuttering] Taurus Bulba! I am the terror that flaps in the night. I am the surprise in your cereal box...
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the batteries that are not included.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the headache in the criminal mind.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night! I am the wrong number that wakes you at 3am...
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the fingernail that scrapes the blackboard of your soul.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the onion that stings in your eye.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am a special news bulletin that interrupts your favorite show.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the low ratings that cancel your program.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the slug that slimes your Begonias.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the bubble gum that sticks in your hair.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the itch you cannot reach.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the ten dollar service charge on all returned checks.
Darkwing Duck: Sheesh. Some days it just doesn't pay to get out of bed.
[while being stalked by Moliarty with a rocket launcher]Darkwing Duck: It's okay, we should be safe hiding behind these barrels of... FUEL OIL?
Mas voltando a Darkwing Duck, e já em jeito de conclusão, recordem todos as magnificas falas do próprio Darkwing:
Darkwing Duck:"Let's get dangerous..."
Darkwing Duck: [stuttering] Taurus Bulba! I am the terror that flaps in the night. I am the surprise in your cereal box...
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the batteries that are not included.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the headache in the criminal mind.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night! I am the wrong number that wakes you at 3am...
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the fingernail that scrapes the blackboard of your soul.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the onion that stings in your eye.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am a special news bulletin that interrupts your favorite show.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the low ratings that cancel your program.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the slug that slimes your Begonias.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the bubble gum that sticks in your hair.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the itch you cannot reach.
Darkwing Duck: I am the terror that flaps in the night, I am the ten dollar service charge on all returned checks.
Darkwing Duck: Sheesh. Some days it just doesn't pay to get out of bed.
[while being stalked by Moliarty with a rocket launcher]Darkwing Duck: It's okay, we should be safe hiding behind these barrels of... FUEL OIL?
Megavolt: I'll finally be rid of them MEDDLING KIDS AND THEIR NOSY DOG." [Regaining his composure] Whoops. Wrong cartoon.
(Scooby-doo p'ra quem ficou na dúvida)
Depois destas citações só o videos poderão dar melhor imagem do enorme Darkwing Duck:
Depois destas citações só o videos poderão dar melhor imagem do enorme Darkwing Duck:
Palavras p'ra quê? (quem não se rendeu a isto, não se rende mais)
Citação animada:
[Homer is dressed up as a Teletubby, with a TV and a wire hanger attached to him]
Homer: Hey, Maggie. I'm Homey-Womey, the Teletubby. And, I'm all man, in case you've heard otherwise.
"[Homer is taunting a shark] Homer: Come on Sharky. Call yourself the king of the jungle? "
The Simpsons
Xis vermelho
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Ao Caminhante
Para os que não gostam de poemas com muito sangue e que vaticinam desgraças proféticas e de bíblicas proporções, aqui fica um poema muito mais doce, embora um coração e compreensão mais complexos que o anterior. Aqui vai:
Ao Caminhante
Tu, que no outro lado da floresta dos meus sonhos,
Vês que eu abrigo o teu caminho até chegar
A noite e o vento ouvires uivar, como os lobos
Em silêncio, escondidos, como tu, do frio nas grutas…
Tu, que na outra margem me vês ou então escutas,
Ouve o que te digo e esquece-o enquanto quente,
“O dia e o inferno ouvirás queimar, com pez fervente,
Em agonia, os escolhidos, como tu, p’ra este trilho morto…”
Tu, que no outro mundo tacteias o caminho cego e torto,
Sente as pedras a rolar só (e só) para tropeçares,
A tarde e o céu não estão, como pensas, aí para te guiares,
Em desespero, os pés tolhidos, como tu, só meio decidido…
Tu, que na outra terra morna bebes deste sangue esbatido,
Saboreia o salgado travo imortal do néctar divino.
O crepúsculo e o mar afogam os homens, como num hino,
Em alegria, requiem dos partidos, como tu, noutro barco sem rumo…
Tu, que na outra vertente desta montanha, sentes gelar o fumo,
Cheira a fruta madura que agora te negada é,
A aurora e o início voltam sempre, acredita, ateu de fé,
Em esperança, luz dos ressurgidos, como tu, na nova bruma…
Tu, da floresta, cujo mar do sonho levou na negra espuma,
Sê mais do que possas no caminho que temes,
A treva e a luz triturarão traidoras pelo que tu tremes:
Não de frio, nem de morte,
Decidido, mais constante qu’o corpo
Qu'apodrece e em pó se esfuma
Sem hino, sem rumo…
Vê, Caminhante!
Além da bruma…
Rafael Cardoso Oliveira
Citação p'ra ocupar espaço:
"Tua piscina tá cheia de ratos
(...) Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára."
Cazuza (O tempo não pára)
Frihet...
Ao Caminhante
Tu, que no outro lado da floresta dos meus sonhos,
Vês que eu abrigo o teu caminho até chegar
A noite e o vento ouvires uivar, como os lobos
Em silêncio, escondidos, como tu, do frio nas grutas…
Tu, que na outra margem me vês ou então escutas,
Ouve o que te digo e esquece-o enquanto quente,
“O dia e o inferno ouvirás queimar, com pez fervente,
Em agonia, os escolhidos, como tu, p’ra este trilho morto…”
Tu, que no outro mundo tacteias o caminho cego e torto,
Sente as pedras a rolar só (e só) para tropeçares,
A tarde e o céu não estão, como pensas, aí para te guiares,
Em desespero, os pés tolhidos, como tu, só meio decidido…
Tu, que na outra terra morna bebes deste sangue esbatido,
Saboreia o salgado travo imortal do néctar divino.
O crepúsculo e o mar afogam os homens, como num hino,
Em alegria, requiem dos partidos, como tu, noutro barco sem rumo…
Tu, que na outra vertente desta montanha, sentes gelar o fumo,
Cheira a fruta madura que agora te negada é,
A aurora e o início voltam sempre, acredita, ateu de fé,
Em esperança, luz dos ressurgidos, como tu, na nova bruma…
Tu, da floresta, cujo mar do sonho levou na negra espuma,
Sê mais do que possas no caminho que temes,
A treva e a luz triturarão traidoras pelo que tu tremes:
Não de frio, nem de morte,
Decidido, mais constante qu’o corpo
Qu'apodrece e em pó se esfuma
Sem hino, sem rumo…
Vê, Caminhante!
Além da bruma…
Rafael Cardoso Oliveira
Citação p'ra ocupar espaço:
"Tua piscina tá cheia de ratos
(...) Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára."
Cazuza (O tempo não pára)
Frihet...
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
O Poema Sanguíneo e Blues da Piedade
Como há a alta probabilidade de, caríssimos, não perceberem rigorosamente nada deste título, passo a explicar: "O Poema Sanguíneo" é um poema de minha autoria que resolvi expor aos vossos, tão rigorosos e altos, olhos e "Blues da Piedade" é um poema de um autor brasileiro, Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido, ou talvez, para alguns igualmente desconhecido, como Cazuza. Como primeiro se apresenta o que é decente e só depois o projecto de coisa nenhuma é justo apresentar o que é consagrado primeiro e, só depois, o que não tem mais comentário. Como é óbvio todos os direitos do projecto estão reservados a mim, sendo que na sua miserabilidade, nem dados alguém os quer.
Blues da Piedade:
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insectos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Cazuza
O Poema Sanguíneo
A tinta que me suja as mãos é sangue,
Sangue assassino dos meus actos pecadores,
Dos amores lânguidos e do mundo exangue
Como eu sou. E eles em mim são horrores,
São apocalípticos e mais que apoteóticos terrores
Como cabeças decepadas e roídas pelos ratos,
Imagens de vómito repugnante e torpor letárgico…
Só mesmo a cambaleante e morta ilusão torna mágico
Este mundo cheio de certezas, de arrogância dos factos.
Só mesmo o sonhar, que eu não tenho, torna suportável
O mundo morto de tanta coisa vulgar e normalizada,
Tanta regra, tanta imposição, tanto nojo razoável,
Por isso é que tenho escrito além da coisa suportada,
Tenho escrito para que ninguém aguente ler, nem diga
Nada do que o mundo não é, nem, enquanto nosso, poderá ser.
O mundo está sedento de um herói para ser crucificado
Para que todos se arrependam, como sempre, tardando.
Tudo se dá demasiado lentamente neste mundo conspurcado
E eu só sei num gesto traduzir tudo o que vejo: vomitando…
O mundo vive na esperança do auto-de-fé inquisitório,
Vive do cheiro da carne assada dos outros, da dor alheia,
A vida é poluída por fedor de perfume tão ou mais ilusório
Que ela, meretriz gordurenta, dada a cada homem que a anseia,
E quer sentir no seu corpo, na sua carne, a ilusão que (o) come.
O pão duro e amargurado que nos dias da morte, ele consome,
E o consome por dentro, queimando como azeite fervente,
Como veneno que contacta a pupila do óculo humano
E o faz rodar na órbita da dor tão forte e envolvente,
Como o abraço da vida luxuriante que todos sonham,
E que cada um, a seu modo, diz que tem…e mente.
Não há, nesta podridão, vidas de sangue, sanguinárias,
Vidas que ou se odeiam ou se amam além da bruma,
O Homem é dado a este meio-termo das coisas primárias,
Não se mata nem se morre por coisa nenhuma,
Não há um dia mais que não seja um dia perdido,
Numa vida dourada pelo estrume de quem mais defecou,
Consumido no desperdício medroso de não ter vivido,
Se entrega brando e sereno à morte que sempre sonhou.
A minha morte não será essa, senhores e espectadores,
Arderei num fogo infernal banhado em ácidos quentes!
Estraçalhado pelas correntes do Submundo, sentindo as dores
Dos mártires na pele, os olhos arrancados por vis dentes
Das bestas negras que domina e manda o deus profundo!
Ossos partidos por martelos com força tal, que o grito
De dor troará até que Deus vire, aflito, a divina feição!
As juntas dos ossos abertas como a pele enegrecida
Queimada e comida pelo cão negro, o negro cão
Que devorará o que restar da minha existência carcomida…
E todo ensanguentado por toda a sobeja vontade desmedida,
Pela maneira como quis decidir, e, mal ou bem, fui decidindo,
Não me dobrei perante o céu, cheirando o pó dos condenados,
Vós ireis todos imundos, enfileirados, meu cadáver vai só…e vai rindo!
Rafael Cardoso Oliveira
Quero mentes ousadas para comentar, dispensam-se gentilezas de qualquer tipo, digam o que quiserem.
Citação só p'ra dar trabalho:
"Confutatis maledictis,
Flammis acribus addictis"
Mozart, Requiem
Finalmente acabou, podem libertar-se...
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