Dans le son déchiré
Canção dos filhos jogados ao vento,
Vai batendo sempre contra as rochas,
E o ontem das mortes saltadas
Portugal, estou farto de te cantar.
v2.0
Poema em chamas
Prolongada e repetida é esta trova, amigo,
A trova que aqui, hoje, te fiz.
Não consigo dar-lhe outro rumo que não este,
Outro trabalho que não este, pelo trabalho a que te deste
De estar aqui, comigo, a ler a ressurreição!
Não, amigo, hoje a história é a de sempre…
É aquela velha ladainha do meu desvario, do meu esquecimento…
Do momento em que resolvi ter coisas melhores para fazer.
Hoje a poesia será simples e ideal
Não caindo nos adjectivos rebuscados que penso até não conhecer.
Bem podia explodir o mundo daqui por dez minutos
Que ainda assim o que escrevo e vou escrever
Não mudaria.
Não traria, nem trará, nada que, havendo mais história,
Nela se escrevesse também.
Está a atrapalhar-me imenso o branco deste papel
Por não me recordar de como o preencher.
Não faço mesmo ideia. Dir-me-ão que sou um charlatão,
Que enganei a todos e principalmente a mim
Quando disse que sabia, por minha mão, escrever fosse o que fosse.
E é só agora que este poema é brilhante,
Por estar a arder ante (e em) mim nesta fogueira
Que acendi e mimei por dez longos minutos.
Valham-me doravante os astutos, os argutos
E complicados adjectivos da grande civilização
De que me tenho abstido, como regra actual.
Aprecio a pira brutal que me sorri, enquanto este poema definha,
Deixo o morrer, sem o querer, mas como quem quereria…
Deixo-o morrer por saber não ter salvação.
Poesia deixada a arder sozinha,
Desfazendo-se em meus dedos
Morrendo em cinza e em senão…
Olho-me e noto não estar só,
Não tão só quanto previa.
Vejo uma ave nascer fria em minha mão.
Rafael Cardoso Oliveira
"I believe I have burst into flames!"
The Spy